COMO FUNCIONA O COME-COTAS NOS FUNDOS DE RENDA FIXA

COMO FUNCIONA O COME-COTAS NOS FUNDOS DE RENDA FIXA

O investimento em fundos de renda fixa é uma das melhores alternativas para quem busca segurança e boa rentabilidade com alto nível de liquidez.


Esse tipo de investimento, porém, costuma despertar uma dúvida que afasta algumas pessoas: como funciona o come-cotas?
De fato, o come-cotas afeta os fundos de renda fixa, mas entrarei nessa questão logo mais à frente. Antes de me aprofundar na resposta, vou esclarecer o que é e como funciona o come-cotas e por que ele desperta desconfiança.

O que é o come-cotas?
A origem do nome come-cotas faz referência às cotas dos fundos que os investidores adquirem. Qualquer aplicação desse tipo se baseia em uma determinada quantidade de cotas correspondente ao valor investido. Duas vezes por ano, existe uma apuração do imposto devido sobre o lucro, e o pagamento é feito através da subtração de uma quantidade equivalente em cotas possuídas nesse fundo. Daí vem o nome come-cotas.

O imposto de renda a pagar sobre os ganhos tem relação direta com o tempo que o dinheiro permanece aplicado. Há uma tabela regressiva que rege a tributação dos lucros: varia de 22,5% (primeiros seis meses) a 15% (depois de dois anos). Nesse intervalo de um ano e meio entre as duas taxas, existem tributações intermediárias de 20% após um ano e 17,5% entre o primeiro e o segundo ano.
Mas, independentemente do prazo investido, duas vezes ao ano, em maio e novembro, a alíquota mínima de 15% é obrigatoriamente antecipada e liquidada, cabendo pagar depois (no momento do resgate) apenas o que não foi retido nas datas do come-cotas. 

É justamente dessa forma que o come-cotas afeta os fundos de renda fixa. E o impacto semestral sobre os lucros faz algumas pessoas optarem por outras modalidades. Mas a análise não pode ser tão simplista. Na prática, o come-cotas funciona como uma antecipação da cobrança do imposto de renda obrigatório.

Quais fundos são afetados pelo come-cotas?
Existem quatro tipos de fundos afetados pelo come-cotas:
Fundos de renda fixa: muito procurados por investidores de diferentes perfis, esses fundos são mais conservadores, com pelo menos 80% da carteira alocada em títulos públicos.
Fundos multimercados: mais diversificados e arrojados, contam com produtos de renda fixa e renda variável.

Fundos DI: são aqueles que acompanham o CDI (Certificado de Depósito Interbancário), o que garante baixo risco aos investidores.
Fundos cambiais: aplicam os recursos em moedas estrangeiras e têm uma rentabilidade que varia de acordo com a sua flutuação.

Contudo, vale a pena investir em fundos de renda fixa?
Um detalhe importante a respeito de como funciona o come-cotas: ele interfere especificamente nas aplicações nos tipos de fundos citados acima. Outras modalidades de investimentos como tesouro direto, LCI, LCA e previdência não são impactadas por essa taxação. 

Uma avaliação mais apressada pode levar alguém a acreditar que fundos de renda fixa não valem a pena devido ao come-cotas. Como sempre digo, o investidor deve se debruçar sobre as possibilidades e fazer contas para saber onde seu dinheiro pode render mais.

Embora o come-cotas subtraia uma parte significativa dos lucros, o trabalho ativo dos gestores dos fundos visa compensar essa tributação antecipada e entregar resultados que compensem esse efeito. Um fundo de renda fixa vale a pena nos momentos em que a perda gerada pelo come-cotas não é maior do que o ganho potencial. 

Se o desempenho do fundo for bom, é possível que a rentabilidade seja superior ao que se encontra, por exemplo, em títulos públicos. Claro, aqui já estou considerando o desconto obrigatório do come-cotas.

Por que a poupança não é tributada
Quando se fala nos tributos e encargos que incidem sobre diferentes investimentos, é comum o raciocínio de que a poupança pode valer a pena por ser isenta de impostos. Abordar o come-cotas é uma nova oportunidade para refutar essa falácia.

Entenda que a caderneta de poupança só é livre de impostos por não ser um produto competitivo. Sua rentabilidade é inferior à de qualquer produto de renda fixa – mesmo quando deduzidos os impostos sobre esses ativos.

Os diferentes tributos e o come-cotas, específico dos fundos de renda fixa, não são motivos para você optar pela poupança. Manter-se na velha caderneta é perder uma oportunidade de multiplicação de riqueza. Minha recomendação é que você evite esse produto, embora ele pareça mais simples e conveniente.

Tenha atenção com a liquidez de seus investimentos
Estudar em detalhes as diferentes tributações que incidem sobre cada produto de investimento é um exercício saudável, mas você deve ir além. Um fator fundamental de diferenciação é a liquidez que os investimentos apresentam. 

Se o seu foco atual estiver na formação de uma reserva de emergência (reserva de emergência), busque alternativas que garantam boa liquidez. Isso quer dizer que você poderá resgatar o dinheiro rapidamente quando precisar e não terá perdas nesse processo. 

Mas tenha atenção redobrada nesse aspecto porque, em geral, a maior rentabilidade está nos produtos que apresentam menor liquidez – e isso vale também para fundos de renda fixa. Ou seja, quanto mais tempo seu dinheiro ficar sob a custódia de um banco ou corretora, maior o potencial de ganhos. 

Ainda sobre a liquidez, vale destacar que a poupança perde também nesse ponto. Isso porque sua rentabilidade só é auferida quando a aplicação completa 30 dias.

Encontre os melhores investimentos para você
O equilíbrio entre liquidez e rentabilidade ajuda a nortear as escolhas de investimento. Fatores como tributações e come-cotas devem entrar na equação, mas evite se limitar a isso. 

A melhor dica na organização de uma estratégia de investimentos é estabelecer objetivos claros. Com esses planos mapeados, você terá os subsídios necessários para fazer as melhores escolhas.
Neste link, você pode conhecer uma série de alternativas em renda fixa e renda variável. Procure explorar a variedade que o mercado oferece e distribua seus recursos com inteligência. Alguns objetivos podem necessitar de uma liquidez imediata, outros podem ser alcançados com uma estratégia de prazo mais longo.

Entendeu como funciona o come-cotas?
Entender as características e como funciona o come-cotas é muito importante para quem pensa em aplicar em fundos de renda fixa. Mas esse é apenas um dos fatores a serem considerados na hora de investir. 
Além do come-cotas, existem tributos que podem tornar um investimento menos rentável. Leve sempre em conta os objetivos que você deseja alcançar com cada aplicação e reflita sobre sua necessidade de liquidez. Essa iniciativa vai lhe ajudar a diversificar os investimentos e manter a carteira balanceada.

 

Date

25 Agosto 2020

Tags

Colunistas, Gustavo Cerbasi

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