Quem é o tal do Agro?

Quem é o tal do Agro?

O longo caminho do Agro


O Agro está na moda. Ao contrário do que muitos temiam no início da pandemia do novo coronavírus, não houve falta de alimentos nas prateleiras dos supermercados. O setor, inclusive, foi louvado pela mídia, que divulgou repetidamente as metáforas “Do Pasto ao Prato” ou “Do Campo à Mesa”. Todavia, essas imagens não retratam fidedignamente a realidade da produção de alimentos brasileira.

Olhando para a história humana podemos dividir a evolução em 4 ciclos. No início, nossos antecessores da época dos nômades sobreviveram durante milênios caçando e colhendo. A grande revolução se deu há cerca de 10.000 anos quando as pessoas se assentaram, começaram a plantar e colher e formaram os primeiros ‘burgos’ com funções urbanas. Iniciou-se a modernidade econômica baseada na especialização e divisão de trabalho e na troca de produtos e serviços. Esse modelo se aperfeiçoou até o início do século 19 quando o economista inglês Malthus avisou aos governos que teriam que pensar em medidas para limitar o crescimento da população, pois não existiria terra suficiente para poder abastecer mais pessoas. Naquela altura, viviam 1 bilhão de humanos no mundo, dos quais 800.000 passavam fome.

Hoje, contamos com quase 8 bilhões de habitantes e o número de famintos, por mais surpreendente que pareça, continua em torno dos mesmos 800.000. Como isso é possível?
O 3º ciclo acelerou o ritmo da revolução industrial, que nasceu no século 18, na Inglaterra. Dentro de poucas décadas ocorreram inovações como a invenção de adubos e defensivos contra pragas, e a criação de tratores e implementos agrícolas para as mais diversas aplicações na produção de grãos, hortaliças e proteínas animais. Tudo isso ampliou a oferta de alimentos, bem como sua qualidade e sanidade, além da redução de preços. Nos Estados Unidos, a comida custa hoje apenas um décimo daquilo que as famílias gastavam há um século. Algo semelhante ocorreu no Brasil, onde as despesas com alimentos baixaram ao longo dos últimos 50 anos de 45% para 15% da renda familiar.

Temos hoje a agricultura de precisão. Menos insumos, menos terra, mais e melhores produtos, com custos e preços reduzidos. Antecipando os impactos da chegada da Tecnologia 5.0, veremos dentro de pouco tempo um outro salto na produção no campo através da integração da Nano-, Bio- e Tecnologia da Informação. Juntamente com a robotização e a inteligência artificial, teremos um ambiente totalmente novo para remodelar as cadeias produtivas de alimentos, biocombustíveis e produtos florestais. E a boa notícia é que nesse contexto o Brasil sairá à frente dos seus principais concorrentes. Atualmente, grande parte da nossa agricultura já opera com duas a três safras por ano. Ao multiplicar as técnicas da integração lavoura-pecuária-floresta, o País terá condições para colher de três a quatro safras, além de produzir carne bovina em paralelo.

Juntando todos os elementos desse cenário, é possível afirmar que o agro não só está na moda, mas também está sendo reconhecido como o protagonista da economia brasileira.

Com essa tendência, as regiões do interior com suas cidades de porte médio terão o maior crescimento do bem-estar social. Isso possibilitará que muitos jovens retornem às suas origens. Irão ao encontro da AgroEconomia moderna e às oportunidades de emprego e negócios do mais alto nível tecnológico. Esse ambiente, que oferece novas perspectivas de remuneração, estimulará a interação entre todos os serviços urbanos que necessárias para atender a produção rural. Os índices do desenvolvimento humano, IDH, já revelam que viver no interior passou a ser uma opção sedutora para muitos que estão construindo suas carreiras.

Date

25 Agosto 2020

Tags

Colunistas, Gustavo Diniz Junqueira

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