Como encarar a nova década?

Como encarar a nova década?

2020-30 – Para onde vai o Mundo? Por que olhar para o campo?


Entramos na autoestrada 2020-30 com menos fogos de artifício, porém, com mais fogos lesivos. Falou-se até em 3ª Guerra Mundial. Não tão longe da realidade após a prévia da recente Guerra Comercial entre os EUA e a China. Tudo isso significa que devemos estar preparados para eventos dificilmente previsíveis. De crises conjunturais e estruturais anteriores lembramos que, quanto mais inseguro for o cenário, mais firme deve ser o processo de planejamento estratégico do nosso negócio. A nossa atividade produtiva depende de um conjunto de múltiplos fatores que, para continuarmos ganhando dinheiro, precisam ser sincronizados dentro de um quadro de planejamento claro, mas com flexibilidade para podermos reagir de forma rápida a incidentes positivos ou ameaças.

Quais são esses fatores? Primeiro, a nossa pessoa física que comanda o negócio. Onde estamos e como queremos e podemos evoluir? Isso envolve a família com potenciais sócios ativos ou passivos.  Dependendo da atividade, alguns irmãos ou primos fazem parte da equipe que toca a loja ou a empresa de serviços. Assim, o perfil desses ‘sócios’ deve ser levado em conta também. E, com índice de rotatividade de assalariados na faixa de 20 a 40% ao ano, temos nesse universo de colaboradores outro campo de atenção. Tendo colocado esse microssistema complexo e dinâmico no papel é preciso avaliar a dinâmica do setor da nossa atividade, bem como as características específicas da nossa localização, seja no município, seja na região. Pois a concorrência não dorme! Para completar o planejamento estratégico convém estudar as perspectivas da economia e do ambiente social do País para, por fim, focar nas megatências globais. Tensões comerciais ou bélicas explícitas como as já referidas e outros impactos mais velados devem entrar no radar de observação.

Com esse panorama complexo temos as ferramentas para definir o caminho desejável e possível do nosso negócio para os próximos anos de profundas mudanças. Penso que podemos partir com base de duas certezas relativas. Sabemos (mais ou menos) quem somos e temos uma ideia relativamente clara sobre o potencial da economia brasileira. Vamos agora aprofundar a segunda perspectiva. ‘Posicionamento’ é a palavra-chave num ambiente competitivo. A pole position na Fórmula 1 e o plano tático eficiente para os 11 jogadores no campo de futebol geralmente decidem o jogo. Quem se movimentar melhor num ambiente fluido constrói resultados melhores. Assim, convém colocar o Brasil no xadrez global para entender como será a economia no final dessa década. 

Cientistas criaram uma metáfora que pode servir como plataforma de análise. Conforme essa visão, a divisão de trabalho entre as regiões do mundo seria a seguinte: América do Norte será líder na inovação. A China funcionará como fábrica do mundo. A Índia, com sua mão de obra bem formada e a custos competitivos, prestará serviços para o resto do planeta. A Europa se tornará o museu da humanidade e, por final, a América Latina será o fornecedor de alimentos para a crescente demanda global.  Aplicando esse raciocínio chegamos à visão 2020-30 do ‘Brasil Agro’.

Com exceção dos ciclos de ouro e pedras preciosas o Brasil sempre foi fornecedor de produtos rurais como açúcar, café, cacau e borracha. O recente ‘Milagre da Agricultura’ ampliou essa pauta para grãos e carnes, entrando agora firme em outros segmentos como frutas, biocombustíveis e celulose. Ou seja, com o evidente declínio da indústria de máquinas e veículos, o motor da nossa economia, além da exploração de minérios e petróleo, voltou a ser o campo. Será o agro 4.0 de alta tecnologia e eficiência que alimentará o mundo e contribuirá para a paz global. 

O deslocamento do centro de gravidade das regiões costeiras e das metrópoles para as cidades de porte médio do vasto interior marcará a nova economia. Já hoje esses municípios conquistaram índices de desenvolvimento econômico e IDH invejáveis. Eles serão o elo entre as indústrias de insumos, a produção rural, o sistema de transporte, as fábricas de processamento de produtos rurais e o comércio. Surge, assim, um novo mapa de desenvolvimento econômico e social cujos impactos diretos e indiretos servirão como pano de fundo para o nosso Plano de Negócio 2020-30, qualquer que seja seu ramo. E quem vive no interior levará vantagem estratégica. 

 

 

 


Francisco Vila
Consultor internacional. Pesquisador modelos de gestão e Palestrante

Date

02 Março 2020

Tags

Colunistas, Francisco Vila

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