O valor do Tempo na Tempestade Tecnológica

O valor do Tempo na Tempestade Tecnológica

Estamos na época do ano que favorece a reflexão sobre as coisas da vida. Além disso entraremos, em breve, numa nova década cuja única certeza é a incerteza.


Não teremos capacidade de prever os impactos que a revolução tecnológica terá sobre nosso dia a dia e sobre o mundo. Produtos e serviços evoluirão a cada instante. O melhor exemplo é o surgimento de várias gerações de smartphones dentro de um só ano. 

Não compramos mais como antigamente. Roupas, máquinas e livros adquirimos na Internet. Daqui a pouco as encomendas serão entregues por drones. A comida chegará quentinha via entregador. Já se fazem diagnósticos médicos por telefone evitando a saída de casa e economizando a despesa com estacionamento na porta do hospital. O amplo segmento da educação, finalmente, entrou na batalha dos cursos online, parte pagos e um crescente número gratuitos. Até o Tinder migrou da plataforma humana para acasalar vacas inglesas com bovinos brasileiros. O dinheiro, por enquanto, continua existindo, mas... Os jovens não investem mais, nem em carros, nem em apartamentos. Tudo tem que ser rápido e fluído e, muitas vezes, descartável.

Se o conceito da ‘propriedade’ cede espaço à preferência de ‘uso’, se o trabalho numa determinada empresa é apenas uma das muitas estações pelas quais passa o trem da vida das gerações Y e Z e se a informação não vem mais de conversas ou artigos de livros e jornais, mas através mensagens curtas de Twitter, o que resta dos bons velhos tempos dos nossos pais e avós? Foram eles que criaram os atuais 6 milhões de negócios para assegurar uma base de existência para filhos e netos e que empregam 50 milhões de assalariados. Mas hoje nem sabemos se a loja de roupa, o posto de gasolina, a pizzaria ou nosso escritório de contabilidade não terão o mesmo destino das livrarias onde entramos e folhamos os lançamentos recentes antes de voltar para casa e comprar o livro pela internet.

Voltamos a nossa reflexão natalina. Se tudo muda, não tem nada que vai ficar igual? Em geral, sim, mas com uma exceção. Falo do Tempo, pois é o tempo que não mudará com o tempo! O relógio atômico de Londres define o passar de segundos, minutos e horas para toda a comunidade humana em qualquer lugar.  Podemos até ficar com a sensação de que o ano encolheu de 12 para 11 meses em nossa percepção da velocidade com qual a vida está passando. Como, então, encarar esse fenômeno e aproveitar melhor o tempo que é igual para ricos e pobres, para estressados e relaxados? 

Como primeira observação vale lembrar que a tecnologia tanto rouba como preserva tempo. Tudo depende do usuário. Temos de um lado a ditadura tecnológica que ocupa parcela crescente da nossa atenção devido à comunicação permanente e instantânea. Ela tornou-se uma bela fonte de estresse que empurrou um terço da população para a nova doença do Burnout. Por outro lado, a automatização de tarefas de rotina libera tempo que permite dedicação a outras ocupações com maior valor de aprendizado ou lazer. Essa perspectiva representa o ‘efeito da humanização’ do progresso tecnológico. Com menos horas de trabalho podemos redescobrir as saudáveis práticas tradicionais.  Conversaremos mais com a família e os vizinhos contribuindo assim para um ambiente social mais equilibrado. Todavia, a opção é nossa.

Os americanos, práticos como são, ensinam que ‘tempo e dinheiro’. Isso é verdade, mas não é tudo. A tecnologia permite redesenharmos os principais mapas da nossa vida. Aí, computação quântica, robotização, biomedicina, etc. nos disponibilizarão mais tempo livre por dia útil e mais tempo de vida devido a melhor alimentação, etc. Assim, além de organizar bem a nossa agenda para ganhar mais dinheiro teremos tempo, penso eu sobrando, para voltar às origens do Ser Humano e programar nossa viagem para chegarmos bem à 3ª e, agora com expectativa de vida de 85 anos, também à 4ª idade. Aproveitemos essas passagens de ano e década para definir horizontes e caminhos para usarmos bem o único bem que é igual para todos - que é o tempo.

 

 


Francisco Vila
Consultor Internacional

 

 

 

Date

18 Dezembro 2019

Tags

Colunistas, Francisco Vila

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