Desde pequena gosto de conversar e observar as pessoas, ouvir suas histórias de vida

Desde pequena gosto de conversar e observar as pessoas, ouvir suas histórias de vida

Se você sentar na minha frente, provavelmente vou fazer perguntas,  vou querer saber como você chegou até aqui, que cursos fez, quais foram os seus trabalhos anteriores, o que te motivou, aonde você quer chegar... As mulheres empreendedoras e empresárias são muito inspiradoras, todas com relatos incríveis.

Algumas foram motivadas por muita dor, a perda dos pais ou marido, a súbita mudança que transformou mães ou esposas em tempo integral, em gestoras que se capacitam, se reconstroem, se reinventam, demonstram uma força descomunal, criam filhos, criam coragem e adquirem ousadia.

Há inúmeras publicações com relatos de conquistas, milagres e vitórias, de mulheres desbravadoras e corajosas que superaram medos e estão em posição de comando.

Será que dá certo? Nem sempre...existem inúmeros casos de falência, falta de crédito, derrotas, perdas financeiras, podemos ser roubadas, enganadas e traídas, pode ser que a ideia que parecia perfeita não saiu do papel.  Você vai se sentir sozinha, chorar, espernear, gritar e se descabelar. 

Na semana passada, conheci uma moça que exercia um cargo de executiva no mundo corporativo e agora está se lançando como empreendedora, ela veio conversar e contar que está tentando entender como se tornar uma empreendedora.

Quais são os motivos para empreender? Pode ser a maternidade, a necessidade de cuidar de pais idosos, filhos com síndromes raras, entes queridos que precisam de home care, uma demissão, uma dor, uma morte, a aposentadoria forçada, a vontade de começar algo novo, um divórcio, um desafio, um sonho, uma vontade de mostrar ao mundo algo que você acredita que sabe fazer muito bem. 

Pode ser que como a moça que me procurou,  você foi vítima da síndrome de burnout ou síndrome do esgotamento profissional, um distúrbio psíquico caracterizado pelo estado de tensão emocional e estresse provocado por condições de trabalho desgastantes. Fonte: Drauzio Varella, UOL. Além de uma carga de trabalho extenuante e viagens constantes ainda tentamos ser boas filhas, mães, esposas e amigas.  A demanda é tão alta que você se pega trabalhando madrugada adentro, sem tempo para se cuidar, para passear com a família, para um cinema com amigas, parece que a gestão do tempo é um sério problema na sua vida.

Aparentemente vivemos cercadas por mulheres maravilhas com seus cintos de mil e uma utilidades, super mulheres capazes de voar, mulheres vencedoras e fortes, presidentes de bancos ou  exemplos de  sucesso que dão a impressão que precisamos ser competitivas, vencedoras e incansáveis durante as 24 horas do dia.

Temos a impressão que as mães se transformam em polvos com inúmeros braços, capazes de executar mil tarefas ao mesmo tempo, com um sorriso no rosto e o cabelo impecável. Fazedoras de milagres, equilibradas, impassíveis.

Por causa do meu trabalho com empreendedoras, adquiri o costume de ouvir e me surpreendo com o aumento do número de mulheres com depressão, que estão esgotadas física e psicologicamente, que se cobram muito ou que estão perdidas sem saber que rumo tomar, questionam as escolhas feitas, deixam de comparecer aos compromissos, pois não conseguem levantar e sair.

Isso me preocupa muito, é um universo de mulheres com talentos sepultados, desprovidas de energia, com olhos apagados e sem brilho... tem dias que elas melhoram, levantam e ressurgem, prontas para receber abraços, sorrir e dizer que está tudo bem novamente, mas depois de um tempo caem novamente.

Normalmente o tom dos meus textos é outro, mas diante de tantos pedidos de ajuda silenciosos, de ausências injustificadas, de lágrimas que teimam em surgir, não dá para ficar calada.

Por isso, hoje me atrevo a falar de uma realidade escondida, de mulheres que alegam uma forte gripe para justificar o sumiço, mas que na verdade estão deprimidas, envergonhadas, tristes, desanimadas e sem forças.

Olhe ao seu redor, se perceber que uma amiga está afastada, ligue para ela, pergunte se pode ser útil, convide para uma conversa com carinho e café, encoraje a procurar auxílio médico e tratamento.

Somos uma organização que prima por ser a porta-voz das mulheres, por exercer a escuta sem julgamento, por dar visibilidade aos invisíveis, onde uma mulher ajuda a outra e nenhuma fica para trás, damos a mão com empatia, caminhamos juntas, sem disputa, com sororidade, como irmãs.

Que sejamos capazes de criar uma rede de mulheres que se apoiam e se fortalecem com solidariedade, compaixão e amor.

 

Date

21 Novembro 2019

Tags

Colunistas, Lilian Schiavo

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