Como fica o seu negócio no Acordo Mercosul-UE?

Como fica o seu negócio no Acordo Mercosul-UE?

Cada negócio faz parte de uma cadeia com múltiplos elos interligados. Essa começa com uma ideia, passa por vários estágios de transformação e terminanamão do consumidor. A pecuária usa a metáfora do ‘antes e depois da porteira’. Só que hoje as porteiras de todas as atividades produtivas estão cada vez mais abertas. Barreiras de proteção tradicionais desabam e o vento gélido da concorrência favorece os mais ágeis enquanto expulsa quem não pode ounãoquer evoluir. Para aprofundar melhor essa necessidade de se adaptar vale a pena lembrar o significado do termo ‘negócio’. Sua origemvem do latim e descreve ‘aquilo que não é lazer’. Em outras palavras, é da natureza da atividade econômica evoluir constantemente e estar abertoa novas circunstâncias. Ou seja, sem foco no trabalho, no resultado e na mudança, o negócio dificilmentese sustentará.

É sob essa ótica de abrir fronteiras que o acordoMercosul-UE deve ser enxergado.Como é óbvio, abertura oferece novas oportunidades e, ao mesmo tempo, aumenta o risco de sofrer diversos tipos de pressão de concorrência. Convém lembrar que cada negócio batalha simultaneamente em três frentes. Temos que responder ao mesmo tempo ao aumento das exigências dos clientes, às novas estratégias de fidelização dos fornecedores e a pressão lateral dos concorrentes diretos e indiretos que tentam conquistar nosso espaço cada vez mais vulnerável.

O Brasil é conhecidamente um dos países mais fechados. Nos 180 países acompanhados há décadas pelo Índice de Abertura, o Brasil ocupa a 153ª posição! A participação do comércio internacional de nossa economia oscila entre 10 e 12% do PIB, enquanto a Argentina e os outros parceiros da região mostram proporções bem superiores.Assim, a abertura, que é o principal objetivo do acordo, provocará impactos muito fortes em todos os setores, desde a indústria, passando pelo comércio e os serviços. Serão oportunidades acompanhadas por novos desafios. Ambos, por enquanto, são pouco conhecidos. Todavia, temos algum tempo para construir nosso novo modelo de negócio. O tratado precisa ser ratificado, o que levará 2 anos, e depois começará o período de transição que, conforme o ramo de atividade, pode variar entre 2 e 10 anos.

Os impactos na indústria (mais problemáticos) e no agro (mais favoráveis) são mais fáceis de identificar, enquanto os efeitosno comércio e nos serviços devem ser mais sutis e indiretos. Olhando mais por perto, e focando no aspecto geográfico, podemos prever que o varejo e as atividades de profissionais liberais terão crescimento mais robusto nas regiões fora das grandes metrópoles. Pois serão as cadeias produtivas dos alimentos, da mineração, da celulose e da futura exploração da biodiversidade que aproveitarão melhor as perspectivas da abertura do mercado. E serão esses setores que puxarão o resto da economia local, desde a construção civil até o segmento de lazer.

De qualquer forma, a combinação do avanço tecnológico, reforçada e acelerada pela abertura dos mercados globais, terá forte influência em qualquer negócio. Juntam-se a essas tendências a intensificação do fluxo intenso do conhecimento e do networking via redes sociais. Perante esse cenário, devemo-nos preparar para um cliente que, antes de entrar em contato, pesquisa na internet a oferta de produtos, e qual fornecedor oferece os melhores preços. Até os médicos já enfrentam pacientes que chegam munidos com conhecimentos obtidos anteriormente pelo Dr. Google. A abertura econômica atinge, assim, todas as áreas dos negócios. Quem se ajustar mais rapidamente aos novos tempos aproveitará.

 

 


Francisco Vila
Formado em economia (Alemanha), administração (EUA) e gestão de projetos (Alemanha). Consultor internacional. Pesquisador modelos de gestão, Consultor de sucessão familiar e Palestrante 

Date

29 Agosto 2019

Tags

Colunistas, Francisco Vila

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