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Outubro Rosa, Anos Dourados

Outubro Rosa, Anos Dourados

“Mais um Outubro Rosa chega, relembrando que, como um jardim, precisamos cuidar bem de nós para que, em cada primavera de nossas vidas possamos florescer com vigor, cor e, acima de tudo, com muita saúde para vivermos nosso máximo em plenitude.”

Anualmente a Revista Perfil compartilha informações com o objetivo de promover a conscientização sobre a doença através de entrevistas e conteúdos sobre este importante tema.

Por Dra. Monica M. A. Stiepcich
Mais um Outubro Rosa chega, relembrando que, como um jardim, precisamos cuidar bem de nós para que, em cada primavera de nossas vidas possamos florescer com vigor, cor e, acima de tudo, com muita saúde para vivermos nosso máximo em plenitude.

Os avanços da Medicina, aliados à maior conscientização sobre bons hábitos e prevenção, melhores condições sanitárias e de habitação e acesso facilitado aos serviços de Saúde têm permitido que vivamos mais a cada década. A maioria de nós chegará muito provavelmente aos 85, 90 anos, e queremos poder aproveitar todos esses anos com boa disposição física, emocional, financeira e mental.

Para isso, precisamos assumir as rédeas de nossas vidas, e planejar com responsabilidade os rituais de cuidados diários, incorporando bons hábitos de alimentação saudável, atividades físicas regulares, momentos de relaxamento, e exames médicos indicados para cada faixa etária que nos permitirão viver todos esses anos em boa forma.

Conhecer então os nossos principais desafios de Saúde como mulheres será nosso ponto de partida.



Câncer de mama
Um de nossos maiores inimigos, acomete uma em cada oito mulheres até os 70 anos. Pelas estimativas do INCA, teremos quase 60 mil novos casos diagnosticados em 2021, com 16.500 óbitos pela doença. Além do medo da morte, seu diagnóstico traz consigo muitos traumas físicos, emocionais, abala a autoestima, fere as mulheres na sua intimidade, no seu relacionamento afetivo e sexual. Entretanto, a Ciência e os avanços tecnológicos têm proporcionado uma nova realidade ao tratamento dessa doença. Diagnóstico precoce, mamografias com baixas doses de radiação e mais detalhadas, biópsias mais precisas, análises individualizadas de cada tumor, cirurgias conservadoras e técnicas de reconstrução de oncoplástica cada vez mais sofisticadas nos fazem encarar com muito mais serenidade esse diagnóstico.

Mas, temos uma boa notícia! Novos exames moleculares têm permitido evitar o tratamento quimioterápico, que até poucos anos era indicado para praticamente todas as mulheres com câncer de mama. Num trabalho brasileiro recém-publicado e de grande importância para a saúde das mulheres brasileiras, pesquisadores do Hospital Pérola Byington da rede pública de São Paulo, em parceria com o Grupo Fleury e com a empresa americana Exact Sciences, detentora do exame Oncotype Dx®, mostraram que quase 70% das pacientes que iriam fazer quimioterapia pôde ser poupada desse tratamento e todos seus efeitos colaterais, e seguir apenas com o tratamento hormonal para o câncer. Além da imensa economia de recursos com as drogas da quimioterapia, pôde-se evitar complicações com o tratamento, transporte, impacto nas atividades de trabalho, sociais e familiares dessas mulheres, com custos diretos e indiretos intensamente impactados, permitindo ainda que, com essa economia de recursos, mais exames de mamografia possam ser oferecidos a outras mulheres, aumentando a taxa de diagnóstico precoce e as chances de cura.

Nosso papel como mulheres é procurar orientação médica regularmente, a partir do início das atividades sexuais, ou aos 18 anos, e seguir as instruções de fazer os exames preventivos conforme as indicações para cada faixa etária. A mamografia hoje é o exame de rastreamento recomendado para mulheres na faixa de 50 a 69 anos de idade, na qual observamos o pico de incidência desse tumor. Fora dessa faixa etária, ao notar qualquer alteração ou sintoma na mama, deve-se procurar o médico para investigação adequada de cada caso.

HPV e câncer de colo uterino
A maioria das pessoas com vida sexual ativa terá alguma infecção sexualmente transmissível em algum momento. Dentre essas, a que traz o maior risco à nossa vida é, sem dúvida, o HPV – “human papillomavírus” ou vírus do papiloma humano, a infecção sexual mais prevalente em todo o mundo, que causa o câncer do colo uterino. Este, infelizmente, mata anualmente cerca de 340 mil mulheres em todo o mundo. A estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA) é que teremos 16.590 novos casos de câncer de colo uterino e 6.500 mortes pela doença em 2021.

Hoje dispomos da vacina contra o HPV, aplicada gratuitamente na rede pública para meninas entre 9 a 14 anos, e meninos entre 11 a 14 anos, que evita a infecção para dois dos tipos de HPV associados a pelo menos 70% dos casos de câncer de colo uterino. Entretanto, o uso de preservativos, hábitos de higiene, alimentação e sexuais cuidadosos, exames preventivos (Papanicolau, ou exame citológico cérvico-vaginal) e colposcopia precisam sempre ser seguidos, pois além de haver mais de 50 tipos de HPV que podem acometer o trato genital – e até a cavidade oral, laringe, língua, etc., levando também ao desenvolvimento de câncer nessas regiões, existem as demais infecções que podem ser adquiridas, e que podem ter consequências impactantes para nossa saúde e fertilidade - os vírus HIV, hepatite C, herpes, e bactérias como clamídia, gonorreia e sífilis são alguns deles.

A recomendação atual de realização do exame citológico, acompanhado, quando possível, da pesquisa molecular do vírus HPV, é para desde o início das atividades sexuais ou a partir dos 18 anos, até os 64 anos. Muito importante é ir buscar o resultado do exame e levá-lo ao médico – infelizmente não é infrequente, mesmo na rede privada de saúde, vermos mulheres com diagnósticos alterados em seus exames e que não retornam para o tratamento adequado.

Síndrome metabólica e condicionamento físico
As doenças cardiovasculares são ainda as grandes vilãs e grandes causadoras de morte ou graves sequelas de saúde, em mulheres e homens. Todos sabemos como é difícil manter uma alimentação saudável e atividades físicas regulares numa rotina de trabalho e tarefas diárias que consomem vorazmente nossas horas. Porém é preciso dar passos pequenos, mas constantes na busca de mantermos nosso peso sob controle, nossos músculos e ossos em atividade e força adequadas pois, com o envelhecimento da população, a falta de mobilidade e a dependência física são causadoras de grande parte de nosso sofrimento, gastos com saúde, causando baixa autoestima e até mesmo a quadros depressivos.

Não propomos aqui dietas espartanas e rigorosíssimas, mas um controle planejado diário ou semanal de metas atingíveis e possíveis, que certamente trarão bem-estar e mais disposição para que possamos desfrutar dessa nossa longa vida de forma mais prazerosa.

Comecemos hoje! O Outubro Rosa vem nos lembrar que os próximos anos podem ser Dourados. 


Profa. Dra. Monica M. A. Stiepcich
CRM (SP): 62067
Médica Patologista do Grupo Fleury desde 1994
Formada na Faculdade de Medicina da USP (1988)
Estágio em Patologia Cirúrgica na Mayo Clinic, Rochester, MN, EUA (1997)
Doutorado em Oncologia na Fundação Antônio Prudente - Hospital AC Camargo, SP (2007)
Professora de Patologia no curso de Medicina da Universidade São Camilo, SP (2012-2018)
Professora de Patologia no curso de Medicina da Universidade Nove de Julho, Campus Vergueiro, SP (2018-2019)
Título de Especialista em Colposcopia pela Sociedade Brasileira de Genitoscopia (1995)
Título de Especialista em Anatomia Patológica pela Sociedade Brasileira de Patologia (1999)
Título de Especialista em Citopatologia pela Sociedade Brasileira de Citopatologia (2000)

Membro ativo:
- Sociedade Brasileira de Patologia
- Sociedade Brasileira de Mastologia
- ABPTGIC - Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia
- ASCO (American Society of Clinical Oncology)
- AMP (Association for Molecular Pathology)
- AACR (American Association on Cancer Research)

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Date

06 Outubro 2021

Tags

Colunistas, Monica M. A. Stiepcich

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