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Ataques cibernéticos – Uma nova pandemia que veio para ficar

Ataques cibernéticos – Uma nova pandemia que veio para ficar

Somente no último mês, hackers atacaram infraestruturas importantes nos Estados Unidos, um dos principais serviços de São Paulo, paralisaram dois municípios na Alemanha e, certamente, invadiram milhares de sistemas de informática, seja de empresas ou de particulares, no Brasil e no mundo.


Na maioria dos casos, os criminosos invisíveis exigem pagamento para remover seus vírus de paralização. O valor do resgate depende da dimensão econômica da vítima. Recentemente, a maior empresa mundial de carne pagou 11 milhões de dólares.

Mesmo assim teve danos operacionais enormes. Esse exemplo ensina que no caso de empresas (diferente de assaltos a pessoas), o prejuízo para recompor o sistema costuma ultrapassar em muito o valor do resgate exigido.

Conforme uma pesquisa internacional, somente nos EUA 40% das empresas americanas sofreram ataques cibernéticos. O total de custos dessas intervenções no mundo ultrapassou 6 bi US$, valor que representa o equivalente a três vezes o valor integral (PIB) da economia brasileira em 2019.

Isso significa que essa ameaça não está limitada a indústrias, bancos ou entidades públicas de grande porte, pois na Espanha 52% de todas as empresas registradas na receita ou em cartórios tiveram que responder e, naturalmente, pagar algum valor para hackers. Porém, isso é apenas o início.

Com a explosão exponencial de todas as tecnologias, da aceleração do trabalho online e à distância, de entregas em domicílio de compras ou de comida e, nomeadamente, da criação de enormes bancos de dados para tudo e todos, convém refletir ‘se’, ‘como’ e ‘quando’ algum vírus da inteligência artificial vai bater a nossa porta. Perante essa ameaça podemos simular potenciais cenários seguindo a lógica da segmentação que aprendemos no marketing de produtos.

Os sistemas de hackers de alta performance atacam geralmente alvos com grande complexidade de sistemas de gestão de dados e com fluxo de caixa que pode facilmente pagar valores entre 3 e 30 milhões de dólares. Das 20 milhões de empresas brasileiras com CNPJ, certamente 5 a 10 mil teriam capacidade para pagar um valor considerável.

Numa segunda fase, centros de hackers na Rússia, China, Índia, EUA e, por que não, brasileiros, provavelmente já desenvolveram conceitos e ferramentas para invadir também empresas de porte médio. Esse segmento é mais fácil de atacar, pois seus firewalls de proteção costumam ser mais simples e vulneráveis.

Se somente a Índia, líder global no setor da TI, exporta anualmente 150 bilhões de dólares em soluções digitais para o mundo inteiro, é fácil imaginar a vulnerabilidade de sistemas que nos acompanham no trabalho, em casa, no relacionamento com o banco, contato com call centers, ou ainda, pelos 17 bilhões (!) de acessos que os brasileiros fazem diariamente com seus celulares a redes sociais. Para se ter uma ideia, o valor dos serviços indianos representa uma vez e meia o total de todas as exportações brasileiros do Agronegócio.

Este cenário dinâmico nos alerta que, numa terceira fase, centenas de milhares ou até milhões de empresas e consumidores podem entrar no radar de hackers. Jovens profissionais da TI, seja brincando, ou com intenção criminosa, encontrarão caminhos para invadir nossos sistemas profissionais ou particulares.

Normalmente, eles analisam os pontos fracos de programas e aplicativos usados por empresas e identificam portas de entrada para injetar vírus que paralisam ou perturbam seu funcionamento. Isso gera nervosismo e perda de eficiência nos processos de produção ou no atendimento de clientes. Quem já foi vítima de clonagem do seu celular certamente pode avaliar o estresse que resulta dessas invasões malignas.

Perante esse novo cenário todo cuidado é pouco! Todos devemos avaliar os sistemas que usamos diariamente - desde a emissão de notas fiscais até mensagens promocionais em redes sociais. Precisamos continuamente reforçar os programas de proteção de dados que usamos. Uma dica para os jovens que procuram profissões com potencial de crescimento no futuro: todos os trabalhos relacionados à TI, inteligência artificial ou Internet das Coisas são opções muito promissoras, com necessidade e demanda crescentes.

 


Francisco Vila
Consultor internacional. Pesquisador modelos de gestão e Palestrante

Date

10 Agosto 2021

Tags

Colunistas, Francisco Vila

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