Por muito tempo, um podcast de negócios foi tratado como vitrine.
O objetivo era simples: ganhar audiência, aparecer, virar referência num nicho. Quanto mais gente ouvindo, mais forte o “case”. Achamos que essa lógica já não dá conta do que o mercado pede. O podcast deixou de ser o produto final de uma estratégia de conteúdo para se tornar o seu ponto de partida. O que era vitrine — quase um troféu de audiência — virou ativo de negócio.

Essa mudança não é opinião isolada nossa; ela acompanha uma transformação real no consumo de conteúdo entre quem decide. Uma pesquisa recente sobre hábitos de informação do C-level brasileiro mostrou que o podcast foi o formato que mais cresceu entre executivos nos últimos cinco anos, um salto de 14 pontos percentuais, à frente de qualquer outro meio avaliado. Quando o público que mais interessa a uma estratégia de negócio passa a escolher profundidade em vez de impacto rápido, o conteúdo para de ser vitrine e começa a virar ferramenta.
Foi entendendo essa virada que paramos de tratar o Powercast, o podcast que criamos há cinco anos, como o produto final do nosso trabalho. Ele é hoje o primeiro capítulo de algo maior: o POWER, o ecossistema que conecta conteúdo, comunidade, grandes empresas e empreendedores num mesmo lugar. O podcast continua existindo, mas ele deixou de ser a estrela do projeto para se tornar a porta de entrada de um ativo maior.
Defendemos que o valor real de uma estratégia de conteúdo de negócios não está no quanto ela gera de audiência, mas em quanto ela gera de confiança. Uma audiência grande se mede em números e se esgota quando o algoritmo muda. Um ativo de negócio se mede em outra régua: quantas parcerias nascem de uma conversa, quantos investidores e empreendedores se encontram porque passaram pelo mesmo ecossistema, quanta comunidade se forma ao redor de uma marca de conteúdo. É esse tipo de resultado que buscamos quando decidimos que o POWER precisava ser mais do que um canal.
Isso não significa abrir mão de qualidade de conteúdo — pelo contrário. Um ativo mal cuidado não gera confiança nenhuma. A diferença é que, quando o conteúdo é tratado como vitrine, cada episódio precisa “performar” sozinho; quando é tratado como ativo, cada episódio soma valor ao que já foi construído antes. É esse acúmulo, e não o pico isolado de audiência, que sustenta um ecossistema de negócios no longo prazo.
Essa transição de “estrela” para “ativo” também explica por que fazemos questão de reforçar quem está à frente do POWER. Ele é comandado por duas mulheres, num momento em que o empreendedorismo brasileiro também está deixando de ser tratado como exceção feminina para se tornar protagonismo. Segundo o GEM (Global Entrepreneurship Monitor), divulgado pelo Sebrae, mulheres já representam 54,6% dos brasileiros com intenção de empreender no país. E os dados mais recentes do Sebrae mostram que, em 2025, mulheres lideraram mais de 2 milhões dos novos negócios abertos no Brasil — cerca de 42% do total, um salto de mais de 320 mil negócios femininos em relação ao ano anterior. Se o conteúdo virou ativo, a liderança de quem produz esse conteúdo também precisa deixar de ser detalhe e virar parte central da conversa.
No fim, a pergunta que fazemos não é mais “quantas pessoas viram esse episódio”. É “que negócio esse episódio ajudou a construir”. Foi assim que o POWER deixou de ser sobre aparecer e passou a ser sobre gerar — conexão, credibilidade e, principalmente, negócio de verdade.
Bebel Rendeiro @bebbelrendeiro
Especialista em mercado de luxo e moda internacional. Formada pela FAAP, atua há anos conectando tendências mundiais a estratégias reais de negócios.

Scheila Santos @scheila___
É bacharel em Direito. Atua há mais de 15 anos no mercado, liderando a área Comercial e o Desenvolvimento de Novos Negócios.
@powercast_
Fotos: @gilbianchini

