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Entrevista com Teresa Vendramini

A competência feminina no agronegócio do Brasil

Teka, como Teresa Vendramini é conhecida no setor do agronegócio, é filha e neta de produtores rurais com propriedades no estado de São Paulo. Formou-se em sociologia, pois sempre teve curiosidade em interagir com pessoas, viajar e conhecer outras culturas. Durante muitos anos, a mãe de uma filha e avó de dois netos, agiu como empreendedora no setor têxtil. Apenas em 2008 assumiu a fazenda e mergulhou imediatamente no aprendizado continuou da nova realidade da agropecuária tecnificada. Frequentou inúmeros cursos da FGV, da Esalq, da Embrapa e muitos outros.

Como consequência da sua preocupação com o desenvolvimento fora da porteira assumiu a diretoria da pecuária da Sociedade Rural Brasileira (SRB). Em 2020 foi eleita a primeira presidente feminina nessa centenária representação do principal setor da economia brasileira. Logo a seguir assumiu a presidência da Federação das Associações Rurais do Mercosul (FARM).

O reconhecimento do seu trabalho, focado em resultados concretos e na integração de todos os espectros do setor, resulto em convites para conselhos como FEBRABAN (Federação Brasileira dos Bancos), de iniciativas empresariais voltadas para desenvolver a sustentabilidade (Fundo JBS pela Amazônia) e de várias administrações estaduais e federais. Aproveitando a sua vocação de reforçar o papel das mulheres em todas as esferas públicas e privadas foi convidada para fazer parte do Conselho Superior Feminino (CONFEM).

Observa-se um aumento significativo de mulheres em funções de liderança, desde CEOs de empresas multinacionais, presidentes de entidades e secretárias e ministras nas mais diversas áreas. Como avalia essa tendência?
Um movimento muito positivo, mas precisamos avançar especialmente no agronegócio. Precisamos de mais mulheres com poder de decisão, mas estamos avançando. O olhar aguçado do público feminino tem muito a contribuir. Mas estamos construindo para um agronegócio mais tecnificado e sustentável, homens e mulheres, juntos!

Num mundo de mudanças tecnológicas e sociais disruptivas e com velocidade exponencial, quais considera características de lideranças necessárias para aproveitar essas tendências, seja na vida pública, empresarial ou profissional? Qual sua visão do papel de pessoas no novo normal cada vez mais virtual e da necessidade de colaboração e diálogo?

O líder, especialmente a liderança feminina, precisa de resiliência e perseverança. Capacidade de superar muitos desafios, estimular todos em sua volta e a humildade para aprender todos os dias com homens e mulheres. A comunicação, capacidade de mediar e promover o diálogo são essenciais, assim como se adaptar bem às mudanças e às inovações que acontecem em uma velocidade incrível.

O agro voltou a ser o pilar principal da economia brasileira. A Embrapa considera que 40% dos 5 milhões de produtores rurais deixarão de produzir ao longo dos próximos 10 anos. Como representante deste setor, como vê a convivência entre as grandes, médias e pequenas propriedades e entre fazendas tradicionais e tecnificadas?
Gestão. Acredito que isso diferencia pequenos dos grandes produtores. A gestão dos recursos financeiros, especialmente. O produtor precisa estar preparado para a volatilidade do mercado, fazendo gestão e fazendo uso de mais mecanismos de proteção. Isso vai manter centenas de produtores na atividade, se tornarão mais competitivos e suas atividades mais sustentáveis ao longo do tempo. Porque fazer uma boa agricultura ou pecuária, bem feita e tecnificada, o produtor brasileiro já sabe fazer. Agora é ver a fazenda como empresa e se adequar às novas exigências mundiais.

Outros países contam com um papel decisivo do cooperativismo. Como liderança do setor, como enxerga o papel de entidades de classe e de associações no Brasil? Quais são possíveis ações para facilitar a sucessão familiar nas empresas rurais?
As cooperativas e as associações de classe representam união, fator decisivo para dar força e voz para o produtor brasileiro. A cooperativa é um modelo de negócio muito viável e necessário para o pequeno e médio produtor. Dá sustentação, viabiliza o acesso a novas tecnologias, capacita e abre mercados. Já sobre a sucessão familiar, ela está acontecendo. Temos dentro da SRB a Rural Jovem, que representa o futuro do nosso agro. Jovens empreendedores rurais, muito preparados, que estão trazendo um novo olhar para o campo, com tecnologia, gestão dos dados e sustentabilidade. Cabe a nós abrir as portas das fazendas para receber esse novo olhar e se preparar para o futuro, porque são muitas as transformações que o mundo pós-pandemia nos reserva.

Quais são os desafios da modernização contínua da produção de alimentos do País e como a Sociedade Rural Brasileira (SRB) contribui para atender essas demandas. Quais são as principais pautas para os próximos anos? Como é a participação dos jovens?
Os desafios sempre estão relacionados a produzir mais usando cada vez menos área, com práticas de manejo cada vez mais sustentáveis. A exigência pela inocuidade dos alimentos, no mundo pós pandemia, será ainda maior. O Brasil, como o maior produtor de alimentos, será ainda mais exigido nestes dois aspectos. Por isso, processos como rastreabilidade, tecnologias de gestão de dados e ESG são a ordem do dia e os jovens estão atentos a isso, conhecem os processos de gestão. Podem contribuir com essas mudanças que já estão aí, mas precisam ser amplificadas.

O consumidor exige cada vez mais produtos de qualidade, saudáveis e sustentáveis. O Brasil está preparado para atender os diversos mercados nos diversos continentes?
Sim, estamos. O Ministério da Agricultura faz um brilhante trabalho, com respostas rápidas ao mercado. Os frigoríficos, durante a pandemia, também provaram sua capacidade de se adequar às situações. Investiram muito para atender as exigências do mercado externo e não pararam, pelo contrário, abriram ainda mais mercados.

A SRB procura um diálogo mais objetivo com os representantes de outros países sobre a questão do complexo assunto da sustentabilidade? Como comunicadora experiente, que primeiro ouve e depois argumenta, sente uma maior aceitação da sua argumentação baseado em fatos e menos em ideologia?
A Sociedade Rural Brasileira defende o direito de propriedade, a livre iniciativa e a defesa da democracia. Defendemos o produtor rural. Com base nisso estamos há 102 anos mediando a conversa entre produtores e entidades de classe e com o governo, seja na esfera federal ou estadual. Seguindo este princípio, estamos caminhando em importantes pautas como segurança jurídica, regularização fundiária e ambiental. Mas o agronegócio brasileiro precisa ser mais ouvido. Temos o Código Florestal, que é a mais exigente e maior legislação ambiental do mundo. Ela é soberana e deve ser respeitada pelos produtores e pelo mundo. Nenhum país até hoje estabeleceu 80% de preservação da floresta em propriedades privadas, assim como estabelece nosso código para o bioma Amazônia.

O agro mostrou uma enorme força e capacidade de transformar o Brasil da posição de importador para um dos principais exportadores de comida em apenas duas gerações. Na sua ótica, como a sociedade, as cadeias produtivas e o estado através da legislação e das políticas públicas podem, no futuro, assumir um papel de maior eficácia na gestão desse setor como um todo?
Com união! O agronegócio é um patrimônio e a grande vocação do Brasil. Isso precisa ser entendido pelos governantes e, principalmente, pelos brasileiros. Com isso, vamos dar força para essa atividade tão importante para o mundo que é a produção de alimentos. Podemos andar todos na mesma direção, gerando emprego e renda para todo país.

“O olhar aguçado do público feminino tem muito a contribuir. Mas estamos construindo com um agronegócio mais tecnificado e sustentável, homens e mulheres, juntos!”

 


Fotos: Divulgação

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