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O valor da inteligência de recursos na emergência

No último mês de agosto, a não-me-toquense Joelize Friedrichs se tornou a primeira mulher piloto agrícola de combate a incêndios do Brasil.

Seu batismo de fogo foi em uma operação no município de Campo Alegre de Lourdes, em uma área de Caatinga no norte da Bahia. Naquela região, a filha do seu Pedro e da dona Lori Friedrichs garantiu, por quase 15 dias e junto com outros três pilotos, suporte aéreo e proteção para mais de 60 brigadistas e bombeiros que atuaram em solo. Joelize já voa há quase 10 anos no trato de lavouras pelo País e ainda ajuda a formar novos pilotos agrícolas no Aeroclube da cidade gaúcha de Carazinho – vizinha à sua terra natal.

Este ano, ela começou a atuar na empresa Aeroterra Aviação Agrícola, no oeste baiano, onde realizou o sonho de fazer o treinamento para pilotar também contra as chamas. Agora, na entressafra dos trabalhos em lavouras de soja, algodão, milho e outros cultivares da região, nossa heroína (como todos os profissionais da aviação agrícola o são) integra uma brigada de aviões encarregados de proteger os biomas da Caatinga e do Cerrado Nordestino. Com a empresa atuando a serviço do Programa Bahia sem Fogo, do governo do Estado.

Este é um exemplo do quanto parcerias com o setor privado são essenciais para aumentar o alcance e a rapidez do setor público no atendimento de demandas diversas.

Ainda mais em emergências, quando a inteligência de recursos urge ainda mais. Histórias como a de Joelize se repetem desde os anos 1990, com empresas aeroagrícolas fornecendo aeronaves, pilotos e pessoal de apoio em terra para combater incêndios no Pantanal, na Amazônia e em outros parques e reservas também no Sudeste, restante do Centro-Oeste e Sul do País. Porém, embora em número crescente, ainda longe da proporção e rapidez ideais para fazer frente às necessidades de temporadas cada vez mais quentes e secas.

A expectativa é de que dois fatores ajudem a melhorar esse cenário. Um deles, o Projeto de Lei Federal (PL) 4.629/2020, do senador Carlos Fávaro (PSD/MT), que tramita no Congresso Nacional e inclui a aviação agrícola nas estratégias governamentais para o combate de incêndios florestais. Dando segurança jurídica a administradores para apostarem de maneira mais efetiva na ferramenta.

O outro fator é a validação, pelo setor privado, da aviação agrícola no combate a incêndios em lavouras. Onde agricultores que contratam brigadas aéreas já aprenderam que, ao acionarem os aviões no início dos incêndios, desgastam menos o pessoal em terra, perdem menos lavouras e têm menos risco para as equipes e instalações.

No caso dos governos, há ainda a economia da terceirização apenas para a temporada das chamas em parques e reservas: tirando o ônus de comprar aviões para combater incêndios, manter hangares, pilotos, pessoal de apoio e manutenção para uma estrutura ociosa na maior parte do ano.

 


Gabriel Colle
Diretor-Executivo do Sindicato Nacional das Empresas de Aviação Agrícola (Sindag).

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06 Outubro 2021
02 Julho 2021
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