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Milênios na transição do Ego para o Eco

Já os nossos avós ensinavam que a “A escassez é a mãe do progresso”.

Foi assim durante muitos séculos, enquanto havia sempre mais bocas do que comida.

Mesmo o Brasil importava até 50 anos atrás 30% dos seus alimentos, enquanto hoje exporta 30% da sua produção agropecuária. Ou seja, não deve ser o braço, mas sim, o conhecimento, empacotado em centenas de tecnologias, que reduz o hiato entre demanda e oferta. Em 1800, o economista inglês Malthus avisou os governos que era necessário controlar a taxa de reprodução da população, pois não haveria terra suficiente para alimentar todos os seres humanos, que na altura atingiram 2 bilhões de habitantes rurais e urbanos. Desses 2 bilhões, 800 milhões passavam fome. Hoje, com uma população de 8 bilhões, o número de subnutridos continua na faixa de 800 milhões. O que fez com que as previsões do Malthus estivessem erradas?

Naquela altura ninguém poderia prever a invenção do trator, de fertilizantes e, posteriormente, dos defensivos agrícolas. No Brasil, foi o desenvolvimento da tecnologia tropical pela Embrapa que transformou o cerrado em terra fértil. O que tudo isso indica?

Hoje, a grande maioria dos jovens não se precisa preocupar diariamente em como a comida pode chegar na mesa, pois uma agricultura altamente tecnificada trata disso. O problema é mais escolher entre aquele iogurte que eu quero dentre as 20 a 30 variedades na prateleira do supermercado. Além deste conforto, existe uma ampla oferta de educação e formação profissional. Muitos pais oferecem viagens ou estadias no exterior. Da compra de tênis de marca ou de smartphones, nem falamos. Onde está a escassez?

Ou seja, os jovens talvez não tenham nascido num berço de ouro, mas certamente não sentem falta de produtos e serviços essenciais. Isso faz com que o foco na tecnologia e nas atividades produtivas, seja como profissional ou empreendedor, abra espaço a outras perspectivas. Quem tem resolvidas as necessidades básicas de hoje, pensa mais em como tudo isso será no futuro. Aí surgem preocupações como a mudança do clima, a crescente polarização das sociedades e a sustentabilidade do nosso modo de viver e a necessidade de, no futuro, alimentar 10 bilhões de consumidores, com voz ativa nas redes sociais, com produtos tirados de um planeta que não cresce.

Esse desafio de alinhar o futuro incerto com o presente razoavelmente confortável induz uma mudança do mindset dos milenials do ´eu` para o `mundo` ou, como definem os sociólogos, do Ego para o Eco. A fixação no umbigo da vida individual se amplia para uma visão dos fatores que, no futuro, garantirão a sobrevivência dos humanos e o equilíbrio da natureza. Pois, se o ambiente adoecer, como nós poderemos ficar ilesos? Não precisamos chegar ao extremo da jovem ativista sueca Greta Thunberg, mas certamente chegou a hora de repensar nossos hábitos de consumo.

Outro aspecto da preparação adequada para o futuro é a redefinição da convivência social. Nos tempos de menor comunicação e mobilidade, sem celulares, internet, carros e viagens aéreas, o centro da vida era a família, o lugar de trabalho e a convivência social no final da semana era na própria cidade onde a pessoa nasceu e convivia com os amigos.

Na nossa época da transparência total e mobilidade física e virtual sem limites onde arrumamos namorados ou parceiras via Tinder ou recebemos consultas médicas por telefone, além de assistir aulas online, saímos da proteção de um ambiente seguro para um mundo mais frio e em constante transformação. Por consequência, temos que dar mais atenção ao impacto desse mundo de permanentes mudanças tecnológicas e as novas formas de convivência hibrida entre o presencial e o virtual. Hoje, o conhecimento de toda a sociedade ultrapassa diversas vezes o que uma pessoa sabia sobre o mundo há uma geração atrás. Passamos a ser cidadãos mundiais, e, consequentemente, temos que ampliar o nosso pensamento do ‘quem sou´ para ‘qual mundo eu quero e preciso’.

 

 


Francisco Vila
Consultor internacional. Pesquisador modelos de gestão e Palestrante

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