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A condição humana por trás dos migrantes transnacionais.

Queridos leitores, nesta edição iremos abordar um tema muito atual e que, infelizmente, carrega consigo vários estigmas: os migrantes transnacionais.

Segundo o glossário da Organização Internacional para as Migrações - OIM, no plano internacional não existe uma definição universalmente aceita de migrante. Ou seja, o termo migrante compreende, geralmente, todos os casos em que a decisão de migrar é livremente tomada pelo indivíduo (ser humano), pelas mais variadas razões e motivos.

Podem ser fatores de “conveniência pessoal”, ou, como na maioria das vezes, em virtude da ação de eventos externos, como questões ambientais, guerras, fome, escassez de recursos, fatores esses extrínsecos e totalmente alheios à sua vontade. Por consequência, o termo migrante se aplica às pessoas e membros da família que se deslocam para outro país ou região a fim de melhorar as suas condições materiais, sociais, educacionais, suas e de suas famílias.

Além disso, muitas vezes o indivíduo migra em busca de melhoria de vida e, ainda que se encontre em situações bastante precárias no novo país, efetuaremessas financeiras ao país de origem, a fim de contribuir com a subsistência de sua família e dos entes queridos que deixou para trás.

É importante mencionar que o ato de migrar, em si, não é, sob hipótese alguma ilegal pois, o ato de migrar está inserido no direito de ir e vir. Como é sabido, não é proibido transitar. Portanto, um migrante não pode ser considerado ilegal de maneira generalizada, considerando o fato de não ter cometido crime algum.

Percebe-se dessa forma que nosso olhar também se modifica logo com a mudança de nomenclatura. Posto que, hoje o termo ilegal já não é mais utilizado, devendo ser empregada o termo de referencia: migrante indocumentado.



Considerando que as migrações também mudaram, omigrante transnacional é o termo que se utiliza àquele individuo que transita por diversos países do globo, posto que hoje não se rompem mais os laços ou vínculos com o país (e família) de origem como nas migrações anteriores. Muito disso se dá graças aos efeitos da globalização e avanços da tecnologia, que permitem além da mobilidade facilitada o acesso à ligações e vídeo chamadas por exemplo.

Não obstante, dentro da classificação dos migrantes, existem diferentes modalidades de migração, considerando cada grupo / indivíduo com suas particularidades e que migra(m) pelas mais diversas razões.

Para elucidar melhor, é importante termos consciência da diferença entre Imigrante e Emigrante. Sendo, Imigrante aquele indivíduo que entra em determinado país/região e Emigrante aquele indivíduo que sai de seu país/região e se desloca a outro.

Assim, observa-se que a visão de migrante pode ser relativa, dependendo do Estado em que nos encontremos. Nós, brasileiros, em nossa grande maioria somos descentes de imigrantes e, no entanto, quando a sociedade atual exige que olhemos para o emigrante venezuelano, haitiano, sírio, e de diversas outras nacionalidades, observa-se que nem sempre esse olhar é dotado de compaixão, por uma sociedade que, ironicamente, é fruto de migrações de outras épocas.

Bauman em seu livro Estranhos à nossa porta nos faz refletir exatamente sobre essa visão do “outro” que temos; do “estrangeiro”; do que “vem de fora”.

Desse modo, o que se observa, na verdade, é que a humanidade necessita de projetos de fortalecimento da gestão migratória e não que sejam criadas fissuras na sociedade civil. Afinal, não deveríamos nos considerarmos todos seres humanos/indivíduos, ao invés de nos medirmos pelo país em que nascemos, ou pelas fronteiras que transpomos?

 

@amaya.gazzoni
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