Blog

Pinhão, nem para os papagaios

A araucária angustifólia,pinheiro brasileiro ou pinheiro do Paraná, habita o planeta há mais de um milhão e quinhentos mil anos.

Teve sua área equivalente a 200.000 km² no Brasil, predominando nos territórios do Paraná (80.000 km²), Santa Catarina (62.000 km²) e Rio Grande do Sul (50.000 km²), com manchas esparsas em Minas Gerais, São Paulo e Rio de Janeiro, que juntas, na atualidade, não ultrapassam 4% dessa área originalmente ocupada.

Espécie vistosa da floresta ombrófila mista, constitui uma das formações vegetais com múltiplas associações, tornando-a fundamental para as relações ecológicas e ao equilibro do ecossistema.

As flores da árvore são dioicas, sendo as femininas em estróbilo, conhecidas popularmente como pinha eocorre o ano todo; já, as masculinas são cilíndricas e alongadas, ocorrendo de agosto a janeiro com a polinização sendofeita geralmente pelo vento. A araucária é uma espécie com sexo feminino e masculino individualizado em cada árvore.



Nas condições normais a formação do pinhão passa por um período de dois a três anos após a polinização, quando então as pinhas amadurecem. Uma árvore na natureza inicia normalmente a produção quando atinge cerca de 10 a 15 anos, produzindo em média 40 pinhas por safra, com 1 kg de peso, contendo por volta de 130 pinhões.

A oscilação de produtividade entre safras é normal, pois o longo período que a pinha leva para completar sua maturação a expõe direta e permanentemente às variações climáticas. O excesso de chuva no momento da polinização deixa o pólen molhado e pesado tendo este, dificuldade de efetuar uma boa polinização. Período seco, de estiagem,torna o pólen muito leve e na presença de ventos fortes alcança alturas demasiadamente grandes,distanciando-se dos estróbilos femininos e inviabilizando sua fecundação.

Efeitos fisiológicos e desgaste nutricional são também responsáveis pela redução de produtividade da araucária, visto ser explorada geralmente em forma de extrativismo e não receber fertilização para complemento e manutenção de suas necessidades nutricionais.

O pinhão cumpre um papel de extrema importância para a alimentação de aves e mamíferos como o papagaio, a gralha azul, a cutia, o bugio, o ouriçodentre outros.É protegido por lei. Sua coleta, transporte e comercialização somente são permitidos a partir do dia 15 de abril no Rio Grande do Sul, como forma de garantir sua dispersão e acesso à fauna silvestre.

A presente safra, em função das adversidades climáticas no período da polinização e recentemente pela longa estiagem, foi amplamente afetada. O consumo na alimentação humana tem reflexos com mínimaoferta e preço elevado; talvez, a menor safra dos últimos 100 anos. O que torna verdadeira a expressão: “pinhão, nem para os papagaios”.

 

 

 


Ilvandro Barreto de Melo

Revista Perfil:

Mais Conceituada do Brasil 


Baixe o nosso aplicativo

 

Entrar em contato

| Revista Perfil - Editorial

| Tapejara/RS

| Praia Brava - Itajaí/SC

| Jardim Paulista - São Paulo/SP

 

Contato:  Revista Perfil     contato@perfilrevista.com.br