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Você sofre de “velhofobia”?

Três tipos ideais de velhice surgiram em um grupo de discussão que realizei com mulheres de mais de 60 anos.

Uma professora, de 61 anos, revelou um verdadeiro pânico de envelhecer: a “velhofobia”. 

“Morro de medo de ser uma velha ridícula. Tenho vergonha do meu corpo flácido, gordo e enrugado. Tenho pânico de ficar doente, sozinha e dependente. Não me preparei para ficar velha. Estou me sentindo invisível. É uma espécie de morte antecipada. As pessoas têm nojo da feiura e da decrepitude da velhice. Envelhecer é só para os fortes”.

Uma empresária, de 65 anos, disse que está fazendo “todas as coisas malucas” que sempre desejou e não podia fazer no passado: a “velhoeuforia”.

“Depois do meu divórcio, entrei em um aplicativo de namoro e estou transando como nunca. Já transei com mais de 20 homens, todos na faixa dos 20 a 40 anos. Vivo como se fosse morrer amanhã, quero aproveitar intensamente o agora. Saio para dançar quase todas as noites. Adoro viajar com as amigas. Ainda vou fazer uma tatuagem e posar nua”.

Uma escritora, de 69 anos, afirmou que envelhecer é uma verdadeira libertação: a “velhoalforria”.

“Só agora eu me sinto livre para ser eu mesma. Passei a ter coragem de dizer não para tudo o que eu não quero mais na minha vida. Deletei todas as pessoas que me fazem mal, mesmo que sejam da família ou amigas de infância. Não me afeto mais com os julgamentos e preconceitos dos outros. Não faço nada apenas por medo, obrigação e culpa. Não posso mais desperdiçar o meu tempo. Aprendi a respeitar a minha verdade e a minha vontade. Ser eu mesma é ser livre para ser mais feliz”.

Ambiguidade é a melhor palavra para expressar as representações sobre velhice nesse grupo. A velhice pode ser vista como uma fase de medos, perdas e doenças. Mas, também, como um momento de muito mais liberdade e felicidade. 

 

 


Mirian Goldenberg
Antropóloga, escritora e professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

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